Com base na visão de que a gagueira é o efeito de uma forma de funcionamento subjetivo singular na produção de fala, derivada de uma imagem estigmatizada de si como falante (sobre isso leia o item “O que é Gagueira”), o tratamento direciona-se para a ressignificação da experiência de fala e modificação dessa imagem de falante. Esse processo desenvolve-se por meio de duas vertentes que se articulam: uma pautada no diálogo paciente / terapeuta e a outra no sensibilização do corpo do paciente.

  Por meio do diálogo trabalha-se a compreensão e a desmistificação da lógica subjetiva que leva à produção gaguejante de fala, a lógica do falante estigmatizado, que sempre está envolvida com esconder a gagueira. Desenvolvem-se atividades mentais e de fala que ajudam transformar essa lógica, gerando a lógica do bom falante, que se permite gaguejar, que reconhece e confia na sua capacidade de fluir.

  Por meio da sensibilização (propriocepção) do corpo como um todo e do corpo quando a fala se produz, trabalha-se a percepção e a compreensão da efetiva capacidade de falar. O trabalho volta-se para a consciência dos movimentos tensos e soltos e para a relação destes com o fluir, o gaguejar e os estados emocionais/ afetivos. Diversas atividades de vocalização, canto e fala materializam esse trabalho.

  Essa proposta de trabalho tem permitido que falantes gagos saiam da posição estigmatizada de falante – aquela em que duvidam de sua capacidade de falar e sentem a fala como um lugar de sofrimento – e venham para uma posição em que confiam na capacidade automática de produzir fala. Constituem-se, assim, como bons falantes que se permitem produzir fala na polaridade natural entre fluir e disfluir.

  Esse tratamento pode desenvolver-se tanto em terapia individual como em terapia grupal. Nossa experiência tem sido positiva nas duas modalidades de atendimento.


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